quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
o Percurso. Vasco Araujo
Video
Actores: Cristóbal Fernández; Nehemías Santiago
Voz: Belén Jurado; Nehemías Santiago; Sergio Sáes
Texto: José Maria Vieira Mendes
Duração: 13’00’’
Dimensões variáveis
O vídeo apresenta-nos uma viagem de um homem e um rapaz de etnia cigana. Esta viagem, resultante da perda de uma terra e consequente procura de uma nova, surge nas paisagens inóspitas da Andaluzia como uma procura de liberdade. Ao longo do percurso desenvolve-se um diálogo. A verdade de uma geração é transmitida oralmente para próxima. Cortado por imagens da Virgem de Macarena que assume um modelo maternal o vídeo acentua toda a mística inerente a uma viagem de sabedoria em busca de liberdade.
Fernando Calhau

Fernando Calhau
A síntese entre o minimalismo e o conceptualismo está patente logo nas primeiras obras, no seu rigor monocrómatico e depuração formal . O vazio ou, antes, o seu enquadramento, é o tema recorrente da
obra do autor. Igualmente preocupado com a herança conceptual encontramos ainda na obra de Calhau uma continuada referência à linguagem e à problematização explicita. O seu percurso é variado no plano disciplinar, abordando práticas como o video, o desenho ou o filme super 8, processos e materiais característicos das práticas conceptuais e pós-conceptuais- a fotografia ou a combinação texto-imagem, que explicita uma preocupação analítica com a decomposição da própria obra nos seus componentes.

João Louro

João Louro
João Louro tem elegido a citação como dispositivo estruturante. Assim as suas obras funcionam como plataformas de leitura cujo sentido se encontra sempre além das mesmas, no horizonte cultural da modernidade e da sociedade pós-industrial. A citação em João assume-se através de dois aspectos, o aspecto nominal, em que a obra evoca um nome ou uma designação cuja ressonância se deseja comunicante, e o aspecto formal no qual a obra apropria a aparência de uma obra anterior para a qual remete. Na exposição retrospectiva Blind Runner (2004) estes dois aspectos articulam-se traçando uma topografia de referências que são tanto pessoais como geracionais, levando simultaneamente questões como o uso da linguagem e da palavra escrita, ou a revisão da história da imagem na cultura contemporânea. O minimalismo, a cultura pop, o estruturalismo e pós-estruturalismo, foram o léxico do qual João Louro exprime a sua visão da arte e cultura enquanto sistemas auto-referenciais. Em “Blind image ” – um “still from a film” , sem imagem, delimitado conceptualmente na parede, ou os quatro ases do baralho de cartas, com o título directo “Hearts, Spades, Diamonds, Clubs” – com o pormenor de um “B” inscrito no interior do coração negro de espadas. João Louro assume-se como um “metteur en scène”, que recria, de modo consideravelmente depurado, ícones provenientes de um mundo imagético e conceptual, o qual acreditamos já ter, de algum modo, vivenciado, independentemente de ter, na realidade, acontecido. E este aspecto torna-se, de certo modo, emblemático.
Arte chinesa contemporânea
Um dos aspectos mais importantes no panorama da arte internacional, na ultima década, é a revelação, no ocidente, da existência de uma arte chinesa contemporânea, com aspectos de ruptura, como aconteceu há muitas décadas noutras regiões culturais. O seu aparecimento tem razões de natureza política suficientemente conhecidas como sejam um certo reformismo que aconteceu na República Popular da China, a sua abertura ao dialogo da agenda internacional e uma economia de mercado. Por outro lado, a república de Taiwan, fortemente influenciada por uma iconografia tecnológica sofisticada, produziu rupturas no modo de operar dos artistas locais. Uma Pop Política é o traço dominante da maioria dos artistas provenientes da Républica Popular da China, embora haja diferenças consideráveis a assinalar consoante vivam na região de Pequim ou de Xangai. Nos primeiros é um pouco mais evidente que a Revolução Cultural Chinesa e a figura de Mao constituem retaguardas de inspiração temática, formal e de técnicas omnipresentes na sua produção, seja em termos de desconstrução realista mais ou menos sarcástica, seja em termos de apropriação de métodos, como cores utilizadas ou o formato mural.
Os artistas de Xangai, por outro lado, assumem o quotidiano chinês como tema de referência e cedo recorrem ao audiovisual como componente fundamental das suas obras.
Iconoclasta, rebelde, transgressora, mas também poética, com
traços de utopia, a arte contemporânea chinesa, vem deste modo afirmando-se como um centro de criação artística relevante no seio internacional.

Cai Guo Kiang -Bigfoot's Footprints: Project for Extraterrestrials No.6
P3 art and environment, Tokyo, Japan
1991
francis Alys
Este trabalho tem como principal denominador o questionamento da durabilidade da obra de arte, “ fazer alguma coisa ás vezes não leva a nada”, Alÿs neste trabalho constitui um comentário sobre a passagem do tempo e a possibilidade da obra se apagar ou desaparecer, implicando um espaço poético. A instabilidade e a impremanência do trabalho são imediatamente expostas quando o trabalho é consumido pelo calor da Cidade do México. Com o desaparecimento da arte final a aproximar-se, o conceito de presença é radicalizado, quando é contraposto face a face com o seu oposto, a ausência. Podendo tecer-se considerações sobre a mortalidade do trabalho, a possibilidade da sua ausência, uma vez que é consumida ao longo do tempo. O “ nada” que foi resultado directo desta acção , a evaporação de um cubo de gelo ( com uma forma minimalista), leva a uma ideia de circulação de discussão dentro do universo artístico, de um encontro com a cidade que está alem do controlo até mesmo nos centros urbanos mais eficientes, este mapeamento imaginário e efémero do espaço urbano tende a ser encarado com uma critica ao estado actual da arte.
E como Francís refere, “Nem todas as ideias necessitam de se transformar em produtos, porem as melhores, tendem a se tornar histórias...”
, a arte está na transformação, não no produto final.

Francis Alÿs
Paradox of Praxis 1, “ Sometimes Making Something leads to Nothing”, 1997
Performance registada em Video. 5 min. dimensões variáveis , Instalação no Hammer Museum, em Los Angeles. Cortesia da galeria de arte David Zwirner, em New York, fotografias de Joshua White.

