
João Louro
João Louro tem elegido a citação como dispositivo estruturante. Assim as suas obras funcionam como plataformas de leitura cujo sentido se encontra sempre além das mesmas, no horizonte cultural da modernidade e da sociedade pós-industrial. A citação em João assume-se através de dois aspectos, o aspecto nominal, em que a obra evoca um nome ou uma designação cuja ressonância se deseja comunicante, e o aspecto formal no qual a obra apropria a aparência de uma obra anterior para a qual remete. Na exposição retrospectiva Blind Runner (2004) estes dois aspectos articulam-se traçando uma topografia de referências que são tanto pessoais como geracionais, levando simultaneamente questões como o uso da linguagem e da palavra escrita, ou a revisão da história da imagem na cultura contemporânea. O minimalismo, a cultura pop, o estruturalismo e pós-estruturalismo, foram o léxico do qual João Louro exprime a sua visão da arte e cultura enquanto sistemas auto-referenciais. Em “Blind image ” – um “still from a film” , sem imagem, delimitado conceptualmente na parede, ou os quatro ases do baralho de cartas, com o título directo “Hearts, Spades, Diamonds, Clubs” – com o pormenor de um “B” inscrito no interior do coração negro de espadas. João Louro assume-se como um “metteur en scène”, que recria, de modo consideravelmente depurado, ícones provenientes de um mundo imagético e conceptual, o qual acreditamos já ter, de algum modo, vivenciado, independentemente de ter, na realidade, acontecido. E este aspecto torna-se, de certo modo, emblemático.

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