Um dos aspectos mais importantes no panorama da arte internacional, na ultima década, é a revelação, no ocidente, da existência de uma arte chinesa contemporânea, com aspectos de ruptura, como aconteceu há muitas décadas noutras regiões culturais. O seu aparecimento tem razões de natureza política suficientemente conhecidas como sejam um certo reformismo que aconteceu na República Popular da China, a sua abertura ao dialogo da agenda internacional e uma economia de mercado. Por outro lado, a república de Taiwan, fortemente influenciada por uma iconografia tecnológica sofisticada, produziu rupturas no modo de operar dos artistas locais. Uma Pop Política é o traço dominante da maioria dos artistas provenientes da Républica Popular da China, embora haja diferenças consideráveis a assinalar consoante vivam na região de Pequim ou de Xangai. Nos primeiros é um pouco mais evidente que a Revolução Cultural Chinesa e a figura de Mao constituem retaguardas de inspiração temática, formal e de técnicas omnipresentes na sua produção, seja em termos de desconstrução realista mais ou menos sarcástica, seja em termos de apropriação de métodos, como cores utilizadas ou o formato mural.
Os artistas de Xangai, por outro lado, assumem o quotidiano chinês como tema de referência e cedo recorrem ao audiovisual como componente fundamental das suas obras.
Iconoclasta, rebelde, transgressora, mas também poética, com
traços de utopia, a arte contemporânea chinesa, vem deste modo afirmando-se como um centro de criação artística relevante no seio internacional.

Cai Guo Kiang -Bigfoot's Footprints: Project for Extraterrestrials No.6
P3 art and environment, Tokyo, Japan
1991

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